Pecuária nacional nas rédeas do próprio rebanho

Artigo assinado pelo pecuarista e presidente da  Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC),  Ignacio Tellechea.


A seleção dos rebanhos taurinos brasileiros teve uma intensificação notável nos últimos anos e vem rendendo frutos dentro de suas próprias fronteiras. Na busca por reprodutores aptos a trabalhar a campo nos diferentes cantos do Brasil, a genética nacional assumiu as rédeas de seu mercado. O resultado está nos números. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) neste mês de fevereiro indicam elevação de 38,26% na venda de sêmen de gado de corte no Brasil e avanço da participação da genética nacional nesse bolo. Um exemplo vem da Angus, raça que mais vende sêmen no país. Em 2020, pecuaristas nacionais abasteceram 23,76% da demanda por doses, índice que, em 2019, era de 19%.

Essa popularidade não é em vão. Vem do empenho mútuo de pecuaristas, órgãos de pesquisa, associações de raça e entidades que trabalham com melhoramento genético e investem em ferramentas de ponta para alinhar as escolhas do campo ao que pede o consumidor. Porque, antes de mais nada, o pecuarista precisa olhar para dentro do próprio mercado e aproveitar o gigantesco potencial adormecido. Há poucos anos, produzir carne premium era uma exclusividade limitada a estados com clima temperado como os do Sul do Brasil. Hoje, há genética de ponta e orientação técnica disponível onde houver interesse por ela.

Quem acompanha as temporadas de remates pode confirmar o que digo. Leilões virtuais realizados por tradicionais propriedades gaúchas em 2020 negociaram seus touros para diferentes estados. E não foi a primeira vez. Excelentes índices de recompra para o Brasil Central, Sudeste e Norte mostram que quem experimenta genética nacional adaptada volta às compras no ano seguinte. Porque investir em qualidade de carne é tendência e, mais do que isso, é lucro.

Com o empenho coletivo, chegamos em um nível de excelência e expertise que considero irreversíveis e que podem levar o Brasil a um patamar inatingível por qualquer outra nação. Mas, para manter “nosso gigante” em rota precisamos de tecnologia. A genômica é o caminho vislumbrado por diversas raças para avançar em novos e potentes marcadores de desempenho e proveito econômico. A ferramenta vem para elevar a precisão e enriquecer os dados disponibilizados por programas de melhoramento como o Promebo, capitaneado pela Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC). Estamos em vias de operacionalizar o uso efetivo de DEPs para resistência ao carrapato e abrir terreno para enriquecimento de inúmeros dados. Outra inovação em curso é a adoção de sistema informatizado que permita ao criador a geração de mapas individualizados e viabilize um olhar exclusivo sobre os índices de seu próprio rebanho. Porque que a grande revolução não está em apenas uma solução para todos os problemas da continental pecuária nacional. O caminho é aparelhar cada criador para que ele enxergue sua própria realidade e faça dela o melhor possível.

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