Olaria, RPK, Passo Fundo e Santa Tereza lideram na Hereford e Braford


As raças Hereford e Braford conheceram os contemplados com as principais premiações entregues em 2020 pela Associação Nacional de Criadores Herd Book Collares (ANC), Promebo e Embrapa. O anúncio destaca a ação de criatórios para o melhoramento genético de seus rebanhos e foi feito nesta quarta-feira (9/9), durante live de encerramento do Seminário Promebo 2020. A programação foi mediada pela superintendente da ANC, Sílvia Freitas.  

Na raça Hereford, o criador Antônio Bebinote Fernandes, da Cabanha da Olaria, de Itaqui (RS), venceu o prêmio Difusão Genética entre os machos com o animal Santo Ângelo Comandante TEU83, que teve 68 filhos registrados. “Agradeço à ANC e ao Promebo pela deferência ao trabalho realizado. Atingimos os objetivos que buscávamos, imprimindo bastante a sua raça, estrutura óssea, pigmentação ocular e precocidade em seus produtos”, frisou.  Entre as fêmeas Hereford, a vitória foi para a RPK Genética, de Cascavel (PR), de Reno Paulo Kunz, com Topass Detenta 28, que teve 15 filhos registrados em 12 meses. Representando o criatório, Álvaro Palavicini frisou que falar de Hereford é uma paixão. “Essa vaca está muito bem pigmentada, elevada, com profundidade de costela e carcaça superior”, ponderou, lembrando o excelente desempenho de acasalamento do animal, que tem deixando bons frutos no plantel.  

A raça também conheceu o vencedor do prêmio Supremacia Genética. O animal Passo Fundo F011, da Cabanha Passo Fundo, do Condomínio Marco da Silva de Marco e Outros, obteve índice final de 40,49. “Esse touro é filho de um touro argentino e da vaca 762, uma fêmea muito importante no nosso criatório. Foi um exemplar que sempre chamou atenção desde terneiro”, ponderou o criador Marco de Marco. A Braford também conheceu seu destaque em Supremacia Genética. O premiado de 2020 é o animal de tatuagem M3424, com índice final de 51,61. O exemplar pertence à Cabanha Santa Tereza, da Sucessão Dario Silva Azambuja, de Arambaré (RS). Segundo o criador Paulo Azambuja, este é o quarto ano consecutivo que a propriedade conquista a premiação. “Esse animal é fruto de uma aposta nossa nos animais que a Santa Tereza têm controlado pelo Promebo e que vêm atingindo os melhores índices. Os frutos desses acasalamentos são sempre melhores a cada geração”, confirmou, agradecendo pelo esforço da equipe da propriedade.

Após a entrega de prêmio, o debate seguiu com a participação do vice-presidente da ABHB e diretor do Programa Carne Pampa, Eduardo Eichenberg, e da superintendente da ABHB, Zilah Maria Gervasio Cheuiche. Entre as conquistas obtidas pelas raças Hereford e Braford, Eichenberg destacou o uso de predições genômicas para identificar reprodutores superiores, como resistência ao carrapato e ao clima adverso. “Conseguimos identificar animais mais adaptados e levar nossa genética Brasil afora. É o que estamos vendo ano após ano via inseminação artificial." Com a genômica, pontua ele, é possível escolher com maior assertividade o touro mais eficiente para sua propriedade. O dirigente ainda citou o crescimento nas vendas e o interesse do consumidor por carne gourmet por meio do Carne Pampa. “O novilho vale mais, mas o terneiro vale mais e a vaca de cria vale mais também”, exemplificou.

O bom momento da pecuária eleva o otimismo dos criadores frente a uma Primavera de bons negócios em 2020. Segundo o vice-presidente da ABHB, a expectativa é que a valorização dos reprodutores nesta temporada seja de 30% a 35% superior à de 2019. “Apesar de vivermos uma situação excepcional, do ponto de vista mercadológico, estamos em um momento muito satisfatório porque abrimos novos mercados e mantivemos o consumo interno. Isso nos coloca em uma conjuntura de bons preços."

Apresentando as inovações na área técnica, a médica veterinária Zilah Cheuiche informou que as raças Hereford e Braford estão aplicando a dupla marca em fêmeas superiores. “Acredito que irá fomentar as avaliações genéticas de fêmeas nos programas”, estimou, reforçando a importância de se avaliar todo o rebanho e não apenas os touros. Ainda citou o avanço do projeto Banco de DNAs de Touros Pais, que prevê que só serão confirmados para registro definitivo touros que tiverem pelos coletados no momento da marca. A partir de 2022, todos os pais terão que passar por conferência de DNA como forma de elevar confiabilidade dos dados de registro e dos próprios programas de melhoramento. “É mais uma forma de tornar os dados confiáveis e dar segurança ao mercado”, salientou Zilah.

Na foto:  animal Passo Fundo F011 / Crédito: Sérgio Olivera


 

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