As Associações

 

            A ANC "Herd-book Collares" é a entidade detentora do registro genealógico da raça Normando no Brasil.

 

Origem

 

            A raça é originária dos Departamentos de La Manche e Calvados, no sudoeste de Le Havre, península do Contentin, situada na Normandia, França, região de clima litorâneo, cujo solo é rico em cálcio.

            Existem registros de que animais da raça Normanda foram trazidos para a região da Normandia pelos conquistadores Vikings nos séculos IX e X.

            A raça é bastante antiga, embora seu melhoramento e "Herd Book" sejam relativamente recentes, tendo sua associação de raça criada em 1883 e foi reorganizada no ano de 1926.

            O Normando é basicamente um tipo indígena, possivelmente com origem Viking, o qual foi cruzado com Shorthorn e bovinos das Ilhas do Canal da Mancha entre os anos de 1845 a 1860. Neste tempo a raça era afamada como uma das melhores de duplo propósito do mundo; sem dúvida o Shorthorn contribuiu para a precocidade e o melhoramento da qualidade de carcaça, o Jersey provavelmente contribuiu para a sua alta taxa de gordura. A face é convexa, como o Jersey, e provavelmente isto é devido a infusão de sangue que a raça teve no século XIX.

            A infusão de sangue Shorthorn e Jersey aconteceu entre os anos de 1845-60.

 

Padrão da raça e pelagem

 

           A raça Normanda é de grande porte, rústica, fecunda e longeva. São animais notáveis por sua produção de carne relativamente magra, de excelente qualidade e leite de alto teor de gordura. Sua pelagem deve ter necessariamente as três (3) cores: vermelho ou ruivo (Blond), castanho escuro ou pardo (Bringe) e o branco (Caille), cuja predominância e localização variam conforme o indivíduo. Os animais com pelagem rosilha são desclassificados, tolerando-se os salinos.

 

 

 

        Características Zootécnicas

            Cabeça - Branca, de perfil côncavo, com manchas escuras ao redor dos olhos (óculos) e focinho. A mucosa ocular tem que ser, necessariamente, pigmentada, enquanto que nos "óculos", podem ser aceitos animais que apresentem, no mínimo, 75% de pelos escuros ao redor dos olhos. Testa larga e com depressão entre os olhos (Coup de Poing); olhos vivos e um pouco saltados; boca grande; focinho largo, recoberto por mucosa escura (manchas de despigmentação são toleradas, desde que o animal não tenha todo o focinho branco). As orelhas devem ser escuras, porém, devem ser "separadas" na inserção com a cabeça, por pelagem de cor branca. Na variedade aspada, os chifres são brancos ou amareladas, finos, encurvados para a frente, em forma de meia-lua. Na variedade mocha, o cume da cabeça é arredondado.

             Pescoço - O pescoço é de tamanho médio, musculoso, bem inserido e continuado até as paletas, harmonicamente.

            Corpo - O corpo é sólido, com um peito largo e profundo; as cruzes são largas e planas, com paletas longas e musculosas, inseridas harmonicamente ao pescoço e ao tórax. O tórax e o ventre são bastante amplos, profundos, bem arqueados, sem estreitamentos, o que lhes dá uma "Conformação Cilíndrica".

            Dorso e lombo - São longos, largos, musculosos e retilíneos.

           Cadeiras e quadris - A bacia é comprida, larga e cheia, sem grande diferença entre a largura das cadeiras e os trocânteres, com uma boa separação entre os ísquions. Os quadris são amplos e cheios.

            Peito - O peito é largo e profundo, sem acúmulos de gordura.

           Quartos - Bem desenvolvidos e musculosos, ligeiramente curvos externamente, com boa separação entre si, proporcionando nádegas cheias e bem continuadas até o garrão.

           Aprumos - Os aprumos são bem separados, regulares e fortes, com curvilhões largos, carnudos e harmonicamente situados, indicando andar flexível e resistência a longas caminhadas.

           Garrões - Seguindo  a linha geral dos aprumos, devem ser fortes e bem separados. São indesejáveis os garrões demasiadamente retos ou sentados. Garrões de pelagem totalmente branca são desclassificatórios, assim como os animais de cascos brancos (tanto nas patas quanto nas mãos).

           Pele - A pele é de espessura média, suave e flexível.

           Úbere - O úbere é desenvolvido, encoberto de pele macia, flácido, bem sustentado, espraiando-se sob o ventre e prolongando-se para trás, muito alto entre os quartos. As tetas são de grossura média, implantadas verticalmente e espaçadas entre si. Os ligamentos suspensos devem ser bem marcados, para assegurar a longevidade do aparelho mamário.

 

NORMANDO MOCHO

            Para a variedade mocha o padrão é o mesmo da aspada, salvo no que se refere aos chifres, pois carece deles e a conformação da nuca, que deve ser proeminente e arredondada.

 

Características da raça

 

            A raça Normanda é de grande porte, apresentando uma estatura média de 140cm nas vacas e 150cm nos touros. É notável por sua produção de carne relativamente magra, de excelente qualidade e leite de alto teor de gordura, com ótimas condições para produção de manteiga e queijo. Constitui-se, portanto, numa verdadeira raça de duplo propósito.

            Na França, o peso das vacas varia de 500 a 800 kg , e os touros, 1.000 kg, em média. No que se refere à capacidade leiteira a média é de mais 4.500 kg, de leite por lactação, com 4% de teor de gordura. Com o leite do Normando se faz o queijo Camembert.

            Quanto à produção de carne, os garrotes apresentam a seguinte evolução de peso: 300 kg com um ano, cerca de 500 kg aos dois anos e de 650 a 750 kg entre vinte e quatro a trinta e seis meses. Parte da carne bovina francesa é produzida pela raça Normanda.

            Os animais possuem grande tamanho com uma capacidade toráxica e digestiva muito boa, uma bacia ampla que permite partos fáceis, uma linha dorso-lombar plana, larga e musculosa, os aprumos são corretos e a estrutura e conformação de úbere são equilibradas permitindo uma fácil ordenha mecânica.

            Possui temperamento dócil e é indicada para fazendas mistas, em regime de semi estabulação, nas quais possa receber forragens capazes de satisfazer suas exigências. A raça tem tido bom comportamento produtivo em diversas zonas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

            A raça apresenta como característica especial a capacidade de ser criada em condições extensivas de manejo, mas também se sobressai em musculosidade, % de gordura, % de proteína no leite, facilidade de manejo, ganho diário, facilidade de parto, intervalo entre partos, precocidade sexual, se comparado com a raça Holandesa.

            No cruzamento com as raças zebuinas, o gado Normando produz mestiços rústicos de rápido crescimento, pesados, produtores de carne de boa qualidade.

            Para seu desenvolvimento se utilizou desde sempre dos mais modernos métodos de seleção. No início do século XVII se registram os primeiros esforços para melhorar a conformação muscular e aptidões leiteiras e manteigueiras da raça. Em 1883, se dá a criação do Herd Book Normande Francês, permitindo canalizar e orientar a seleção.

            A nível internacional a raça Normando que é uma das primeiras raças de dupla aptidão do mundo, tem cada dia mais adeptos, demonstrando que tanto para a produção de leite quanto para um potencial leite-carne equilibrados, pode apontar vantagens suplementares sobre as raças especializadas em leite, em diferentes climas e para distintos sistemas de exploração.

            A raça esta implantada a mais de 100 anos na América Latina, na Colômbia chegou em 1877, no Brasil e Uruguai chegou no início do século, e mais recentemente na Argentina, Equador, Paraguai e Venezuela, onde as associações de criadores de cada país contribuem para seu melhoramento e difusão.

            Na Colômbia, onde se somam mais de 1,8 milhões de cabeças, sua exploração é como raça leiteira, com núcleos de mais de 6.000 kg de produção média, e como raça mista pura ou em cruzamento com o zebu para a produção de carne. Cada vez é mais conhecida por sua alta qualidade na produção de leite e de carne na pecuária Colombiana.

            Sua rusticidade, sua facilidade de parto e de manejo, sua aptidão para transformar forragem grosseira em produção econômica lhe permite adaptar-se a todos os climas e todas as altitudes desde o nível do mar até 4.300 metros.

 

Produtividade da raça

 

            Mesmo se tratando de uma raça mista a raça Normanda garante uma boa qualidade de carne, produzindo carcaças de grande peso, de boa conformação e de carne de grande qualidade.

            As vacas pesam ao abate mais de 700 kg de peso vivo com carcaças de mais de 400 kg. Os novilhos machos de 16 meses de idade média são um dos produtos que mais se exploram no oeste da França. Pelas facilidades de alimentação existentes, feno, silagem de milho, concentrados protéicos, etc..., sendo fácil obter pesos de carcaças entre 300 e 400 kg, de ótima qualidade.

            No exterior para a produção extensiva de carne se utilizam freqüentemente a raça na forma pura ou em cruzamentos sobre animais de todos os tipos crioulos, de raças leiteiras, raças britânicas, raças continentais e zebuínas.

            A média de produção de leite da raça Normanda na França em 1990 foi de 6.033 kg, com 4,18% de matéria graxa e 3,5% de matéria protéica em 307 dias, conforme cita a Federação Nacional de Organismos de Controle Leiteiro-FNOCL.

            É comum encontrar explorações com mais de 7.000 kg médio e as vacas que superam os 9.000 kg chegando inclusive aos 10.000 ou 12.000 kg se encontram com grande freqüência.

            A riqueza de seu leite em proteínas transformáveis em queijo é uma garantia da raça Normanda em superioridade sobre amaioria das outras raças leiteiras. Alem disso a raça apresenta uma originalidade genética a respeito das características tecnológicas do leite que são: o equilíbrio fosfocálcico, o menor diâmetro das partículas de caseinas, a freqüência das variantes favoráveis das caseinas, que lhe conferem qualidades particulares para a elaboração da "qualhada" permitindo rendimentos em queijo de 15 a 20% superiores, segundo o tipo de fabricação empregado.

            Este esquema de seleção, que trabalha na prática com médias bastante importante, permite um progresso genético anual de mais de 100 kg de leite.

 

Seleção do Normando

 

            Seleção por conformação se realiza em 3 etapas;

  •             Ascendência, mediante a seleção de pais e mães de touros.

  •             Touros, mediante o controle de crescimento na estação de teste onde cerca de 61% são eliminados.

  •              Pela conformação de cada descendência.

            Existem na França 1.300.000 vacas Normandas, com 635.000 vacas inseminadas, destas, 282.000 vacas estão em controle leiteiro, porém apenas 900 vacas são escolhidas para serem mães de touros a serem selecionados.

            Todo ano selecionam-se entre as fêmeas da base de seleção as MÃES DE TOUROS. Estas são as 900 melhores vacas em índices de produção leiteira, conformação e origem. Também a cada ano se selecionam os 7 a 8 melhores touros, estes são os PAIS DE TOUROS. Com eles se faz os acasalamentos mais indicados e se inseminam a vacas para se obter os machos com máximo de qualidade em sua origem que vão ser os reprodutores da prova.

 

UPRA Normande

 

            A UPRA Normande tem como função orientar a raça e coordenar as ações de todas as entidades e fazendas que trabalham com a raça Normanda. Toda a informação referente aos animais e a base de seleção se registram em um arquivo racial sistematizado que é gestionado pela UPRA.

            As 7 unidades de seleção admitidas na raça Normanda tem sob sua responsabilidade a coordenação do esquema de seleção via paterna. Atualmente a seleção da raça se orienta para um aumento na quantidade de matéria protéica produzida, colocando especial ênfase na morfologia de úbere, na conservação e melhoramento das qualidades de produção de carne, fertilidade e rusticidade.