10/04/2013 - Características de Ultrassom na Seleção de Gado de Corte

Características de Ultrassom na Seleção de Gado de Corte:

Leonardo Campos1 e Gabriel Campos2

 Nosso interesse no presente artigo é destacar a tecnologia de ultrassom, fazendo-se um comparativo com o método tradicional de avaliação ou classificação de carcaças.

 Os testes de progênie tradicionais para características de carcaça ao abate demandam muito tempo, são caros, envolvem um número de animais muito reduzido de raças puras e são de acurácia questionável. Já os dados da avaliação por ultrassom, apropriadamente coletados e usados na seleção, são muito mais efetivos para melhorar essas características, economizando tempo e dinheiro.

 Imagens de ultrassom são características indicadoras mensuradas em touros, novilhas e novilhos para avaliar o potencial genético quanto ao mérito da carcaça da futura progênie do reprodutor. As principais medidas de ultrassom disponíveis são área de olho de lombo (AOL) por unidade de peso, espessura de gordura na 12ª costela (EGC), espessura de gordura na picanha (EGP) e percentagem de gordura intramuscular (%GIM). As três primeiras são expressas na mesma unidade de medida: centímetros quadrados para AOL e milímetros para EGC e EGP. Já a quarta, %GIM, é uma medida não invasiva utilizada para indicar o potencial genético para marmoreio.

 A pesquisa sugere de modo consistente, a partir das estimativas de herdabilidade e correlações genéticas (Bertrand, 2009), que as medidas de ultrassom em animais para reprodução, podem ser usadas para reduzir o tempo e as despesas necessárias para se obter estimativas úteis do mérito genético para características de carcaça. Existe variação aditiva suficiente para a obtenção de mudança genética através dos programas de seleção.

 Segue uma discussão de cada uma dessas características - na carcaça e no animal vivo (através de ultrassom), adaptando texto publicado por “Bob” Long:

 

Marmoreio:

É o principal fator na determinação do grau de qualidade da carne, favorecendo uma melhor degustação. O escore de marmoreio é definido visualmente por um técnico avaliando a carcaça no frigorífico, sendo uma estimativa (subjetiva) do conteúdo de gordura no músculo. Tem seu valor seletivo devido a uma correlação de aproximadamente 0.60 entre o escore de marmoreio e a gordura no músculo.

 Na medição de marmoreio por ultrassom no bovino vivo a imagem coletada pelo escâner do equipamento é analisada por um programa computacional para mensurar a quantidade de gordura no tecido muscular. A correlação entre gordura no ultrassom e gordura química é cerca de 0.70, que é mais alta do que com o escore visual de marmoreio.

 

 

 

Área de Olho de Lombo (AOL):

A AOL é simplesmente uma medida feita pelo avaliador no frigorífico, usando uma régua ou planímetro, da área em um corte transversal no músculo olho lombar (longissimus dorsi) entre a 12a e a 13a costelas

 

 

A medida de AOL por ultrassom usa a mesma imagem empregada para determinar marmoreio. O “mapa” de ultrassom dos vários tecidos permite esta medida de AOL.

 

 

Gordura de Cobertura na Costela (EGC) e na Picanha (EGP):

A EGC na 12a e 13a costelas é útil para estimar a gordura total do gado bovino. Esta avaliação é um julgamento feito pelo avaliador no frigorífico, o qual tem muito pouco tempo para decidir sobre esse grau de gordura e outras avaliações no momento de sua classificação. Em adição, ao remover o couro no frigorífico alguma gordura pode ser retirada junto.

 

Na avaliação de ultrassom a gordura de cobertura é mensurada na mesma imagem usada para AOL e marmoreio. Em adição, uma medida de ultrassom da gordura de cobertura na picanha, pode ser empregada para ajustamentos, avaliando o padrão de distribuição da gordura.

 

Conclusão: Medidas de ultrassom no animal vivo são mais acuradas do que as medidas tradicionais tomadas na carcaça.

 

As medidas fenotípicas reais, como %GIM ou AOL, não tem nenhum valor como números absolutos para comparar reprodutores nos diferentes grupos de manejo e ambientes. Tem valor somente quando usadas através do cálculo de DEP em avaliações genéticas usando dados de grupos contemporâneos.

 

A expansão desta tecnologia tem gerado preocupações quanto à consistência em equipamentos, programas, procedimentos, acurácia, tecnologia, idade do animal, certificação técnica e validação dos dados, salientam os técnicos presentes no Encontro Anual da BIF em 2006, ao apresentar uma visão geral do Ultrasound Guidelines Council (UGC).

 

No Brasil, as associações de bovinos de corte e pesquisadores vêm se organizando de maneira semelhante para padronização de protocolos e a certificação de técnicos de campo e de laboratórios.

 

Progresso Genético:

No Encontro Anual da BIF em 2006, Dan Moser, da Kansas State University, informa que progresso tem sido feito nas características de carcaça, ao observar as tendências genéticas apresentadas pelos programas de avaliação genética das diferentes associações, em especial quanto a AOL.  Somente as raças Angus e Red Angus têm alcançado progresso em marmoreio, sendo que a maioria das imagens para gordura intramuscular coletadas é da raça Angus.

 

Na avaliação genética efetuada pelo Promebo para AOL e EGC na raça A. Angus, desde 2000, observa-se a mesma tendência genética positiva, com uma resposta mais acentuada também para musculosidade na carcaça (ver gráfico). A partir de 2010, começaram as coletas de gordura intramuscular, devendo as análises ser disponibilizadas agora no Sumário 2013-14.

 

(Versão mais extensa deste artigo está disponível no Portal do PROMEBO – www.promebo.com.br)

 

1  Coordenador Técnico do PROMEBO®  (ltcampos@terra.com.br)

2  Mestre em Melhoramento Animal UFRGS  (gabrielsoarescampos@hotmail.com)

 

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