BLONEL

AS ASSOCIAÇÕES

A partir de 2005 está vigorando um contrato celebrado entre a Associação Brasileira de Blonel – detentora da delegação do MAPA – e a Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares para que esta execute os serviços de registro genealógico e provas Zootécnicas da raça sintética Blonel, em todo o território nacional, de forma terceirizada.

ORIGEM E HISTÓRIA

No final dos anos 90, do século passado, os pecuaristas Eduardo da Rocha Leão e Sérgio Pignatari Malmegrim denominaram Blonel ao bovino de corte sintetizado com o grau sanguíneo de 5/8 Blonde d’Aquitaine e 3/8 Nelore, após uma década dedicada à formação da nova raça. Considerado mentor do projeto, o zootecnista Adriano Rúbio acompanhou o rigoroso programa de seleção, desde o início.

Os primeiros acasalamentos ocorreram no Centro-Oeste do Brasil. Um grupo de 300 fêmeas Nelore PO – Puras de Origem, mochas, do plantel da Anfari Agropecuária, sediada no município de Padre Bernardo, no Estado de Goiás, propriedade de Antônio Fábio Ribeiro, foi inseminado com touros Blonde PO franceses provados, sob a supervisão da equipe do Dr. Luiz Antonio Abadia.

Entusiasmados com os resultados, Leão e Malmegrim, também criadores das raças puras Blonde e Nelore, em São Paulo e Minas Gerais, decidiram intensificar os investimentos no projeto Blonel. Iniciaram os anos 2000 unindo forças com o amigo e pecuarista Marcelo Kignel, de quem já eram sócios em diversos animais.

Juntos, adquiriram o plantel de fêmeas 1/4 Blonde e 3/4 Nelore da Anfari e seus primeiros produtos 5/8 Blonde e 3/8 Nelore para somar, após rigoroso aparte, os animais selecionados aos seus criatórios. A unificação dos plantéis de Leão, Malmegrim e Kignel foi registrada como Blonel.com, somando cerca de 1.500 cabeças. Diversas parcerias, programas de transferência de embriões e novas aquisições reforçam e qualificam o plantel formador, que já conta com outros renomados criatórios por todo o Brasil. A mais recente, com o novo sócio e pecuarista Luiz Fernando Rebelo, iniciada em Uberaba, Estado de Minas Gerais, começa a se projetar para João Pinheiro, no cerrado mineiro. Além da Anfari, em Goiás, fazem parte animais oriundos da criação das famílias Noleto (Tocantins), Chiaparini (Centro-Oeste Paulista), Cretella (Mato Grosso), Steinbruch (Mato Grosso do Sul e São Paulo), Trombini e Buschmann (Paraná), Assumpção (Noroeste Paulista), Dimarzio (Goiás e São Paulo), Azul e Branco (Pedreira, São Paulo), Bella Mantiqueira (Piracaia, São Paulo), Duquesa (Bragança Paulista), dentre outros.

A idealização do bovino de corte adequado às condições tropicais tornou-se realidade com o nascimento dos primeiros produtos sintéticos obtidos por meio da fusão de qualidades máximas do taurino Blonde e do zebuíno Nelore. Com exuberante musculatura, precocidade sexual e de terminação, facilidade de parto, pêlo curto e claro, porém, de pele e cascos escuros (sinônimos de rusticidade), os animais Blonel rapidamente atraíram diversos pecuaristas. Tanto que, no dia 24 de abril de 2003, foi lavrada a Ata de Fundação da Associação Brasileira de Blonel (ABB), com sede na capital de São Paulo. A diretoria eleita para o primeiro mandato tem como presidente Marcelo Kignel e vice-presidente Aluísio da Rocha Leão. O diretor financeiro é Sérgio Malmegrim e o diretor administrativo Eduardo da Rocha Leão. As diretrizes e programas técnicos contam com a colaboração da Central Sersia Brasil, sucessora da Yakult, e também dos veterinários Mara e Luiz Abadia, fundadores da Embriotec, Dr. Amilton Cardoso Elias, da Collares, e Gerome Negre, da Midatest-France.

No dia 7 de junho de 2005 o Mnistério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) aprovou o Regulamento para Formação da Raça Blonel, concedendo a sua execução à ABB, sob registro de nº 18, homologando, assim, a mais nova e promissora raça de corte genuinamente brasileira.

COMPROVAÇÕES TÉCNICAS

Merecem destaque as duas mais atuais comprovações dos sucessivos ganhos para quem utiliza esta genética híbrida do Blonde com raças zebuínas. Os trabalhos são independentes, mas se complementam na abordagem que inicia com os custos da concepção, passa pelo abate no frigorífico e pela lucratividade (tanto no rendimento da carcaça como nas peças cortadas), chegando à degustação dos bifes grelhados, no prato do restaurante.

Conforme recente divulgação à imprensa, a família Ortemblad, criadora da consagrada raça zebuína Tabapuã, em consórcio com a Unesp, desenvolveu o projeto denominado Tab 57, visando três objetivos básicos: intensificação do uso do solo, redução de custos e ganho de peso por animal.

Segundo o Relatório Técnico de Avaliação de Carcaça, apresentado ao final dos trabalhos pelo professor Pedro de Felício, o lote de novilhos de cruzamento com a raça Blonde em regime de pasto, abatido com 20,5 meses de idade, foi o que atingiu o maior peso líquido: 19,11 arrobas, quase uma arroba a mais do que o 2º colocado.

A superioridade também foi comprovada em outras quatro avaliações:

- Peso, após jejum de 24h, de 503,54 kg, contra 493,54 kg do 2º colocado;

- Peso da carcaça quente de 286,69 kg, contra 273,08 kg do 2º colocado;

- Rendimento de carcaça de 56,94 %, contra 55,33% do 2º colocado;

- Área de olho de lombo de 77,35 cm², contra 71,67 cm² do 2º colocado.

A conclusão do projeto destaca que o uso de genética superior e manejo adequado mostra ser real a produção de novilhos criados a pasto, com lotação de 2,28 ua/ha (Unidade Animal por hectare) ao longo do período de 31 meses e quatro dias, decorridos desde a concepção até o abate, com o custo de apenas R$ 22,51 por arroba, quando esta era cotada a R$ 50,00. Ou seja, lucro superior a 120%.

Em outro importante trabalho técnico, encomendado por um renomado Grupo que desejava testá-los para sua rede de fast food, especializada em carnes grelhadas, todos os resultados foram favoráveis ao produto híbrido Blonde x Nelore, que ao final dos testes recebeu a credencial de Carne escolhida conforme Padrão. O relatório descreve que a avaliação considerou as características desejáveis sob os pontos de vista de: produção a pasto;

Industrialização frigorífica;

Porcionamento dos cortes nobres e características organolépticas da carne.

Com o objetivo de analisar as diferenças na qualidade de carne e relação entre tipo bovino e produção de carnes nobres, foram abatidos pela Fricarnes Alimentos Indústria e Comércio Ltda., cinco lotes bovinos, todos criados exclusivamente a pasto, com sal mineral comercial e tratamento normal, desde o processo de engorda até o aproveitamento de bifes grelhados.

Os números dos trabalhos técnicos apresentados demonstram a superioridade do híbrido Blonde x Nelore em todos os testes realizados. Além da economia de tempo e custos no ciclo de cria, recria e engorda, foram obtidos ganhos expressivos no processo completo da indústria frigorífica, até sua comercialização final, chegando à mesa do consumidor a carne mais macia e saborosa, conforme o teste de degustação comprovou.

Os resultados indicam o Blonel tanto para o criador de raça pura na produção de matrizes e touros melhoradores, como para seu cruzamento com as raças zebuínas ou taurinas. Outra opção fantástica é a sua utilização sobre os demais produtos de cruzamento, as chamadas F1, com incremento do vigor híbrido e porções eqüitativas de origem indiana e européia no produto final.

OPINIÃO DOS PIONEIROS

O arquiteto e pecuarista Eduardo da Rocha Leão expõe o seu ponto de vista: “Pertencendo à quarta geração de fazendeiros, pelos dois ramos de minha família, tive oportunidade de ouvir e conviver com muitas aventuras. As felizes, chamavam a atenção para algo em comum: o sucesso do produto híbrido. A receita alterava os ingredientes, mas a fórmula permanecia: conjugar a rusticidade com a máxima produção de qualidade.

Foi assim com o café, com o suíno, asinino e muar, milho, frango, com o capim, gado leiteiro, soja e, como não bastasse, também com o gado de corte. O produto puro de origem possui suas qualificações específicas, determinadas pela seleção que a própria natureza realiza em seu berço genético. Nos meios mais inóspitos, sobrevivem apenas os resistentes, destacando-se pela rusticidade, importante característica para se minimizar o custo de produção. Por outro lado, a alta performance é encontrada onde a seleção obteve precocidade, aliada à rentabilidade com otimizada conversão nutricional e qualidade produtiva. Na pecuária de corte, a junção de tudo significa um animal que gasta pouco, come menos, cria antes e termina rápido, com grande rendimento de carcaça, tanto no abate como na desossa, produzindo peças de carne macia e saborosa. Este resultado, após inúmeras experiências, foi obtido no cruzamento do bos indicus (zebuíno) Nelore com o bos taurus (europeu) Blonde. A fusão das complementaridades destas raças fez nascer o produto ideal. Bastava, daí, a fixação genética de todas as virtudes”.

O processo científico de sucessivos cruzamentos entre as duas raças-base, por meio da biotecnologia dos tempos modernos aplicada à pecuária, sempre com a utilização de sêmen de touros provados em testes de progênie, fixou o híbrido no grau sanguíneo de 5/8 Blonde com 3/8 Nelore. Este é o Blonel, indicado para o criador de raça pura, na produção de matrizes e touros melhoradores, ou para seu cruzamento, tanto com as raças zebuínas quanto taurinas. Outra opção, com resultados também surpreendentes, é a sua utilização sobre os demais produtos de cruzamento, as chamadas F1, com o incremento do vigor híbrido e porções eqüitativas de origem indiana e européia no produto final. Abstraindo todo este processo para o campo das artes, seria como o mestre que possui em sua palheta diversos tons de azul e amarelo, mas quer chegar à cor verde. Algumas tonalidades das cores puras, denominadas primárias, se aproximam da idealizada, mas só com a mixagem entre elas ele consegue a desejada e com suas proporções obtêm-se as mais perfeitas nuances. Muito me gratifica estar no projeto Blonel num país com as dimensões do Brasil e que já caminha para além de suas fronteiras, ao despertar o interesse de outros países, num momento especial de crescimento fantástico das nossas exportações.

Nas palavras de Sérgio Pignatari Malmegrim, engenheiro e pecuarista: “As montanhas, a água farta e o ar puro da Serra da Mantiqueira foram decisivos para o meu retorno à atividade agropecuária, há duas décadas, na mesma região onde nasci. Terra que acolheu meus antepassados, inicialmente oriundi, mais tarde fazendeiros. Após minha formação em engenharia mecânica, parti em busca de especializações no exterior e, passados alguns anos, voltei decidido a fazer algo tecnicamente diferente >de tudo aquilo que havia conhecido antes. Esta busca pelo aprimoramento técnico foi, sem dúvida, o que me levou inicialmente ao Blonde, raça de excepcionais qualidades na produção de carne e sustentada em seu país de origem, a França, pelo melhor respaldo técnico que tive notícia. Recentemente, em visita a institutos de pesquisa e cooperativas de produtores de Blonde na França, tive oportunidade de comprovar toda a preocupação em estar na linha de frente tecnológica por meio do Programa Calvigene (com orçamento de 8 milhões de euros), que proporcionará, nos próximos dois anos, a determinação de marcadores genéticos responsáveis por qualidade, maciez e sabor da carne. Em outras palavras, poderemos comprar sêmen de touros aptos a corrigir e produzir bezerros com qualidade de carne superior.

O Blonde, dentre todas as raças especializadas na produção de carne na Europa (bos taurus) é a que mais se utiliza na inseminação artificial e não falo de sêmen de touros campeões de pista, mas de touros selecionados em um período de seis anos de testagens de suas progênies e das progênies de suas filhas. Eis que iniciamos os trabalhos para chegar ao Blonel, com estas magníficas ferramentas disponíveis e ao nosso alcance, mas que, durante muitos anos, foram substituídas pela emoção das pistas de julgamento e dos bem produzidos leilões. A cada passo de nossa seleção, fomos confirmando o poder da inseminação artificial com sêmen de touros provados em progênie.

Na linguagem de minha terra: É macuco no emborná!. Quando ainda mal se conheciam tais testagens no Brasil, fomos buscar sêmen dos animais da raça Nelore, selecionados por trabalhos do Instituto de Zootecnia de Sertãozinho, naquela época, uma ilha de ideologia amparada pela técnica e não pela aparência. E, cada vez mais, os resultados apareciam, o Blonde e o Nelore (ou Ongole, em sua origem) foram mostrando em seu processo de hibridação um potencial incrível, uma máquina de produzir carne de qualidade em nossas condições tropicais. A busca incansável pela técnica não proporcionou apenas grandes avanços nas máquinas com as quais trabalho, mas também um resultado a olhos vistos na seleção do Blonel. Esta nova raça é o resultado vivo da aplicação das ferramentas da biotecnologia à pecuária brasileira.”

O cirurgião dentista e também pecuarista, Marcelo Kignel é quem diz: – “Faço parte do enorme contingente de profissionais liberais deste país que aderiram à pecuária pela paixão e pelo interesse em criar novas alternativas de rendimento”. “Como sempre, as histórias se repetem. Entrei na pecuária de corte há dez anos, pois ouvia falar que em pecuária não tem erro, não tem prejuízo e que o lucro é uma conseqüência natural. Ledo engano! Pecuária realmente é algo apaixonante, mas se não levada com seriedade, estudo, prática e aprendizado com os erros dos colegas e os próprios, o fracasso, sim, será uma conseqüência natural. Foram anos para se chegar a um animal que realmente fizesse a conta fechar no final do mês. Estar inserido no projeto Blonel permite uma expansão de horizonte neste momento em que o agronegócio se destaca dentro da cadeia produtiva brasileira. O Blonel é uma realidade a olhos vistos em nossas fazendas. A rusticidade está presente de maneira marcante, produzindo animais de pele e cascos escuros, sinônimos de resistência, e de pêlos claros, finos e curtos, que se adaptam perfeitamente às exigências peculiares dos climas tropicais. O ganho de peso é uma constante, deixando o efeito sanfona no passado. A precocidade sexual se impõe no período de monta, agregada à facilidade de parto e aquela satisfação, que tanto almejamos na condução de nosso plantel, vai se tornando uma realidade palpável.