As Associações

 

  • Associação Nacional de Criadores "Herd Book" Collares

            A raça Charolesa teve seu livro de registro genealógico aberto no ano de 1927. A ANC Collares desde então vem efetuando o registro genealógico da raça no Brasil.

            A ANC Collares é responsável pelo registro genealógico da raça Charolesa, a entidade registra os animais nos livros de Puros de Origem (PO) e Puros por Avaliação (PA).

            Os animais Puros por Cruza (PC), são registrados diretamente pela ABCC. Dentro da categoria de bovinos Puros por Cruza, são registrados os animais Puros por Cruza de Origem Desconhecida (PCOD) e puros por origem conhecida (PCOC).

            A ANC "Herd Book" Collares tem a raça Charolesa inscrita em seu Departamento de Provas Zootécnicas (CDP) e no PROMEBO.

 

  • Associação Brasileira de Criadores de Charolês

            Associação Brasileira de Criadores de Charolês tem a seguinte Diretoria para a gestão 1998-2000, esta Diretoria foi eleita e empossada no final da Expointer 98, dia 4 de setembro.

            Para maiores informações sobre a raça Charolesa, contate a ABCC diretamente pelo E-mail  charoles@charoles.org.br

 

Origem

 

            A raça Charolês é originária da França, mais precisamente de Charolais e Brionais, Departamento de Saône-et-Loire, no Distrito de Charolles. Muito antiga, dela existem pré-históricos na Suíça. Desenvolveu-se na França a partir do século XVIII, como excelente fornecedor de carne e animal de tração. Por ser bovino musculoso, sem tendência a depositar gordura na superfície, sua seleção começou a ser orientada há três séculos.

 

 

História

 

            A raça tem evoluído lentamente desde o passado, mas com maior rapidez no presente século, á partir de uma raça antiga de coloração creme que habitava a comarca de Charolais. Esta forma ancestral provavelmente tinha muitas características comuns com o gado Simental da Suíça e Alemanha. Os animais que deram inicio a raça foram cruzados em grau limitado com animais da raça Shorthorn brancos por volta do ano de 1863, sendo comum animais com as características desta raça britânica na época, após se procedeu uma seleção para velocidade de crescimento e qualidade de carne.

            A cidade de Charolle, localizada a aproximadamente 100 km ao nordeste de Lyons, é a antiga capital da antes chamada Província de Charolais. Na metade do século XVIII, o gado Charolês puro era criado por apenas nove comunidades de fazendeiros progressistas, em uma pequena área com de clima e solo muito bons.

            Constitui-se em uma das raças francesas mais antigas. Originalmente um animal de triplo propósito, fornecendo carne, leite e trabalho, sendo depois selecionado apenas para carne.

            O bovino Charolês foi reconhecido em 1770 como uma raça pura distinta na região próxima à localidade de Charolles, de onde a raça deriva seu nome. Entretanto não foi difundido até o ano de 1830, pois apenas à partir desta data a região recebeu estradas melhoradas, tirando a raça do isolamento físico a qual era mantida até então.

            O registro genealógico foi aberto em 1864 na França, onde existem mais de 2.5 milhões de cabeças, e a Associação de Criadores foi fundada por volta de 1880.

            A melhora da qualidade permitiu, de 1920 em diante, a opção do Charolês unicamente como gado de corte. O aperfeiçoamento de sua estrutura corpórea, espessura da abundante massa muscular, peito profundo, membros longos, favoreceram muito a criação da raça - facilitavam seu deslocamento nas pastagens em busca de água em pontos mais distantes.

 

Introdução no Brasil

 

            Sendo bovinos grandes e pesados, bem adaptados para a produção de carne, o Charolês estava entre as primeiras importações feitas a partir da Europa, pelos produtores de gado de corte, visando adicionar peso e tamanho a nossos rebanhos.

            Os primeiros animais desta raça a desembarcarem no Continente americano foram importados pelo Brasil em 1879, seguindo-se então, diversas outras importações para a América do Sul.

            Em 1902, Cypriano de Souza Mascarenhas iniciou sua criação, adquirindo touros vindos do Uruguai, o que, com o correr dos anos, veio a se tornar o maior rebanho do mundo para esta raça: 10.000 reses.

            No ano de 1927 foi aberto no Brasil o "Herd Book" da raça com dois ventres importados da França e, logo em seguida, foram registrados os demais touros importados previamente pelos criadores brasileiros. O primeiro produto puro nascido e registrado no pais foi "ARARA", fêmea nascida em 20 de maio de 1928.

            No Brasil, a porta de entrada do Charolês foi o Rio Grande do Sul. De acordo com arquivos da Escola de Agronomia "Elyseu Maciel" (atual Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel) da cidade de Pelotas, no ano de 1885 chegaram àquela cidade dois reprodutores Charolês, importados da França pelo governo Imperial. Os dois reprodutores foram confiados a dois estancieiros de renome na época: Heleodoro de Azevedo, Souza e Mancio de Oliveira. Da continuidade daquelas criações não se tem notícias. No Rio Grande do Sul, o crescimento da raça foi de tal porte que nele vamos encontrar o maior rebanho de Charolês do mundo. Com adeptos em todos os Estados brasileiros, o Charolês chega também ao Norte e Nordeste.

            A raça foi introduzida no ano de 1962 na Bahia, através de Vitória da Conquista, expandindo-se também a Sergipe, Ceará, Maranhão e Pará.

            Atribui-se a importação do Governo Imperial à influência do médico veterinário Mr. Claude Rebougeon. Este técnico francês foi contratado pelo Governo do Império para estudar a localização de uma escola de Agronomia e Veterinária no Rio Grande do Sul.

            Na época, Pelotas concentrava todos os estabelecimentos industrializados de carne no Estado: as charqueadas. Por este motivo a região foi escolhida. Não há dúvidas quanto à influência do veterinário francês na importação. Contam os antigos estancieiros da região que o gado branco ou barroso era denominado de "gado Rebourgeon". No fim do século passado e nos primeiros anos do decorrente, a Sociedade Agrícola e Pastoril, em Pelotas, editava uma revista que tratava de assuntos agropastoris. Muitas vezes, a revista publicava artigos assinados por "Gé de Figueiredo" , ou simplesmente "Gé", que além de assuntos gerais referentes à pecuária, costumava fazer referências elogiosas aos cruzamentos com o Charolês, quando na época, os cruzamentos eram praticados com raças britânicas Hereford e Durham.

            "Gé de Figueiredo" era o pseudônimo usado por João de Souza Mascarenhas, jovem apaixonado pelos problemas da pecuária, paixão que conservou durante toda vida. Alguns estancieiros se interessavam pelos comentários de "Gé" , pedindo-lhe endereços de criadores de Charolês. A estes era fornecido o endereço de Anibal José de Souza, brasileiro radicado no Uruguai, com criação há tanto tempo que já produzia touros puros por cruza, no fim do século passado.

            Em 1901, "Don" Aníbal enviou a seu sobrinho, João de Souza Mascarenhas, cinco exemplares da raça, todos puros por cruza, sendo quatro novilhas e um tourinho. Na época, João Mascarenhas não era criado, mas comerciante de gado na Estância Capão Alto, no município de Bagé. Por isto, os cinco animais ao seu irmão, Cypriano de Souza Mascarenhas, estancieiro do município de Júlio de Castilhos. Ele estava procedendo cruzamentos do gado comum - "crioulo" ou "Franqueiro"- com touros Hereford e Durham, importados do Uruguai. Usou o tourinho Charolês em vacas crioulas. Os produtos obtidos desta cruza apresentavam-se muito mais desenvolvidos do que os obtidos com a cruza das raças inglesas. Em vista do bom resultado obtido com este cruzamento experimental, Cypriano encomendou a seu tio Aníbal dez touros puros por cruza.

            A importação ocorreu no ano de 1904, considerada a data da primeira importação de Charolês para o Estado do Rio Grande do Sul. No ano de 1906, Cypriano adquiriu da mesma procedência cinqüenta touros. Em 1910, tendo resolvido utilizar somente reprodutores Charolês em sua estância, encomendou os cinqüenta reprodutores. Neste ano, Don Anibal não criava mais Charolês.

            A propaganda das raças inglesas, promovida no Uruguai pelos frigoríficos, todos de firma britânicas, desestimulava a utilização de outras raças. Naquela época, buscavam-se bovinos que produzissem carne com grande cobertura de gordura, que era exigência do mercado consumidor europeu.

            Esta característica a raça Charolês não possuía e não possui. Em vista disto, Cypriano viu-se na contingência de ir buscar reprodutores no país de origem da raça. Para tanto, no ano de 1911, importou da França dois tourinhos. Foi a primeira importação de Charolês promovida por um particular. No ano de 1913, mais dois tourinhos foram importados pelo mesmo criador, da mesma procedência.

            Com o advento da Primeira Grande Guerra, as importações tornaram-se impraticáveis. Dois anos após terminada a guerra, em 1918, Cypriano reiniciou as importações, sempre com dois reprodutores.

            No ano de 1927 foram importadas da França duas novilhas, o que possibilitou a abertura do Herd Book da raça no Brasil. Em 1922, por ocasião da Grande Exposição Nacional, realizada no Rio de Janeiro, promovida pelo Governo Federal, fazendo parte do centenário da Independência Nacional, juntamente com outras comemorações, a França apresentou um plantel de 20 exemplares da raça. Concluída a exposição, o mencionado plantel foi doado pelo governo da França ao Governo Brasileiro.

            O plantel foi conduzido a uma estância que o Ministério da Agricultura possuía no Estado de Goiás, provavelmente conhecida como Estância Urutaí. Mais tarde, o plantel foi transferido para a Estação Experimental de São Carlos, em São Paulo, também do Ministério da Agricultura. Em 1931, os animais foram transferidos para Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, que o concentrou no Posto Zootécnico da Serra, em Tupanciretã, atual Estação Experimental Zootécnica daquela cidade. Os animais somavam 31 ou 32 fêmeas de todas as idades. O plantel continuou na referida estação, atualmente constituído por algumas dezenas de exemplares, que prestam bons serviços à criação do Charolês no Estado.

            Depois de 1920, diversos criadores importaram animais da raça da França. Entre os pioneiros estavam: Izidro Kurtz, coronel Quinca de Lima, Carlos Gomes de Abreu. Ao se falar na história do Charolês no Estado, impõe-se mencionar um a cabanha que foi, sem dúvidas, a maior difusora da raça no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Tendo inclusive realizado promoções no Uruguai e Argentina. A referência é da Cabanha Santa Marta, de Pacífico de Assis Berni, de Santa Maria. Fundada em 1954, a Cabanha Santa Marta promoveu inúmeras importações de exemplares da França, vendendo-os em leilões memoráveis.

            Atualmente, o Herd Book Charolês já ultrapassou o número de 250.000 em seus registros.

 

Padrão Racial e Pelagem

 

        Características Gerais

            O charolês é um bovino de cor branca (creme), grande peso, desenvolvimento muscular pronunciado e sem acúmulo de gordura, precoce e especializado em carne, destacando-se pelo grande rendimento de carcaça.

            Seu esqueleto é muito desenvolvido, tendo ossatura pronunciada. Em seu conjunto, é um animal volumoso, esqueleto e musculatura destacada, excelente tamanho (altura, comprimento) com diâmetros transversais moderadamente amplos e plano superior e inferior retos.

 

        Características Zootécnicas

            CABEÇA - Harmônica, com expressão masculina nos machos e feminina nas fêmeas. Frente ampla, nuca reta, orelhas de bom tamanho (em forma de palmatória), olhos grandes e tranqüilos. Focinho largo e destacado, narinas distantes e bem separadas, boca ampla. Na variedade mocha, a nuca apresenta-se arredondada.

            PESCOÇO - Longilíneo e musculoso, bem implantado no tórax, papada reduzida.

              CHIFRES - Medianos, curvados para a frente, sua base não pode ter diâmetro excessivo. Cor branca ou marfim, sendo que na sua base admite-se coloração mais escura, mormente em animais mais velhos. A variedade mocha pode apresentar rudimentos desde que completamente soltos (batoques).

            CORPO - Amplo e cilíndrico; lombo reto, largo e musculoso, rins largos. Garupa ampla e retangular, bem coberta de carne. Tórax amplo e profundo, com costelas separadas, sem depressão atrás das espáduas. Posterior (quartos) com musculatura pronunciada e perfil convexo, massas musculares baixando até o jarrete, este forte e com grande diâmetro. Cola larga na base, bem inserida na garupa.

            MEMBROS - Fortes, bem aprumados, com cascos na cor marrom muito claro, sem listras ou manchas.

            MUCOSAS - Rosadas, sem pigmentação, às vezes com algumas "sardas".

         MANCHAS ESCURAS - Somente nas pontas dos tetos e, eventualmente, na vagina e escroto (tipo malha), o que não é desejável.

            PELE - De boa espessura, suave e flexível, de cor rosada, sendo encontradas eventualmente malhas de cor mais escura, o que não é desejável.

          PÊLOS - Normalmente curtos, brilhantes e de cor branca ou creme. Não se admitem malhas escuras na pelagem.

          ANDAR - Ágil e elegante, adequado a movimentar-se em grandes áreas à procura de alimento.

 

Características da raça

 

            O gado Charolês sempre se manteve primordialmente como uma raça produtora de carne, tanto a pasto quanto estabulado.

            A novilhas parem pela primeira vez aos 3 anos, desde que recebam alimentação satisfatória. O peso médio encontrado na literatura para os machos é de 45 kg e para as fêmeas é de 42 kg. A raça é conhecida por ter propensão a partos gemelares.

            No que se refere à produção de leite, em geral, as vacas produzem o suficiente para criar um terneiro por ano, com rendimento estimado em 3.000 litros por lactação.

            A raça é extremamente versátil em termos de manejo, cruzamentos com outras raças, alimentação e mudanças de clima. Através das avaliações genéticas e do melhoramento da raça o Charolês atual pode oferecer à indústria de carne bovina, genética para velocidade de crescimento e eficiência alimentar, características bastante procuradas pelos produtores comerciais e pelos confinadores.

            No que diz respeito ao fato da introdução de sangue Shorthorn no início da formação da raça para dar uma maior rapidez de apronte aos animais, o Charolês ainda continua sendo uma raça mais tardia, entretanto com a vantagem de que os animais estão o suficientemente pesados antes de iniciar a depositar gordura excessiva, aliando o fato de que não necessitam receber hormônios para ter uma maior deposição de gordura nos quartos traseiros.

            Esta musculosidade é fortemente marcada na progênie dos cruzamentos em que o Charolês é usado, especialmente a idade de seis semanas.

            A pelagem é também uma característica da raça que é passada a progênie. Animais com gene de pelagem vermelha ou preta, são diluídos em padrões creme, avermelhados, ou lobunos (fumaça).

            O gado Charolês engorda satisfatoriamente, produzindo carcaça de excelente qualidade. Ainda que esta apresente uma elevada proporção de gordura intramuscular (marmorização ), seus depósitos superficiais são excepcionalmente escassos. A palatabilidade de sua carne é considerada das melhores.

            Suas principais características são a pelagem branca, grande porte, tanto na altura como no comprimento. O Charolês ainda se destaca por sua estrutura óssea e musculatura, excelente rendimento de carcaça e precocidade nos cruzamentos e nos abates.

            A raça Charolesa é estudada no "Meat Animal Research Center" (MARC), Clay Center, Nebraska - USA, os principais dados de performance da raça estão citadas meste link.

            O Polled Charolês ou Charolês mocho, tem geralmente um esqueleto mais fino que o tipo original aspado, alguns criadores ingleses e franceses usaram a raça britânica Lincoln Red para introduzir o fator mocho na raça que é originalmente aspada.